quinta-feira, 3 de novembro de 2011

um prólogo [inho]

O meu discurso, aqui, não pode se prolongar demais – a verdade é que eu não sei por onde começar, é mais uma dessas histórias sem início. O que recordo é de ter sentido o peso de uma moeda de dez centavos sobre a minha cabeça, um golpe sem aviso prévio; sem a possibilidade de reflexão. Não lembro de absolutamente nada. Meu médico disse-me que os flashes me tomarão à mente após algumas semanas de tratamento. Dois meses com remédio e nada de lembranças. Só sei de duas coisas, aliás, três. Uma é que tenho um gato lindo, a segunda é que tenho uma casa linda e a terceira, bom, a terceira é uma perda. Sei disso, nada mais me vem à mente. Absolutamente. Perdi a minha memória e isso é estarrecedor. Não reconheço ninguém, não confio em ninguém, a não ser, é claro, no meu gato e nas minhas orquídeas. Pinto a minha casa duas vezes por mês, coloco o expansor vaginal todos os dias no meu gato e procuro, por aí, a minha perda.


Perda, where are you?


Perdi

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