Esta face imunda, que cheira a uréia humana, insiste em permanecer estática. Mova-se; deixe este espírito altivo pertencer ao mundo e não ao teu ser. E que ser mal humorado. Este cinismo monótono, realmente, dá-me um embrulho na região estomacal, no córtex, exatamente. Faz-me ter úlceras irregulares; ardentes; pouco sóbrias; ácidas. Ponha um sorriso nesta cara, neste projeto hipócrita de ser. Transpire fluidos, não sarcasmo. Menos ilusório sejas; Menos mentiras conte-me.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
domingo, 16 de janeiro de 2011
devasta-se
Conseguiu-se o resultado esperado? O verde está sendo carregado pelo marrom carmim, pelas correntezas sem direções exatas; com direções destruidoras. Fizeram-se pastos; fizeram-se tocas, algumas imundas, porém, fizeram. E agora? Expelirmos as nossas poucas gotas salinas de lágrima que vertem sobre a nossa face corrigirá toda essa iniquidade; todo esse desatino? Desastrosamente, não. Passar-se-ão os dias, os anos, alguns séculos quem sabe e, ainda, continuaremos a devastar as colinas; os vales e, de forma contínua, as tais correntezas de ódio, de rancor, de repulsa, voltaram a levar o verde; o azul; o amarelo.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
das soluções que tomei
Vermífugos imundos! Tire-me essas traças que dilaceram minhas vísceras; que as comem. Faça destes vermes, habitantes do meu bolo alimentar, do excessivo excremento, que encontrará à água sanitária ao ser expelido de minha alma; psique; massa. Faça-me, portanto, menos insípido, menos indolente. Ou contrarie a sua função. Faça-me engasgar com o excesso de Taenia Solium, Saginata e suas derivadas. Náuseas. Faça-me tê-las! Faça-me vomitar na face destes pobres de espírito e pútridos de alma. Mate-me. Envenene-me.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
das pílulas que ingeri
Década de 1920. Clarice, ao se retirar do Teatro Municipal, em São Paulo, sentira uma profunda dor na região torácica, entre o estômago e as glândulas supra-renais. Por conta desse mal estar, Clarice obrigou-se a se fazer presente em um consultório médico. Naquela noite, porém, ela sobreviveu às dores pela ingestão de analgésicos baratos e remédios tarja preto. Ao acordar, vestiu-se. O primeiro vestido que vira sobre sua cômoda foi o escolhido: Um decote sensual e, ao mesmo tempo, resguardado. Turquesa era a cor de seu vestido. Seu batom carmin evidenciara seus lábios carnudos e desejados pelos homens. Sua pele clara e ligeiramente pálida afinava sua face, deixando-a mais mulher. Seus cabelos esbranquiçados aliado a um belo chapéu deixavam-na indubitavelmente cobiçada. Vestira seus sapatos e fora, andando, à clínica.
Ao chegar à clínica, sentou-se e permaneceu estática, imóvel, esperando que a secretária a chamasse.
- Clarice Tardin, pode passar na sala ao lado. Doutor Vasconcellos lhe aguarda.
Clarice foi, sutilmente, à sala do Doutor e lhe apertou a mãe, dando-lhe bom dia. Ríspido e grosseiro, Dr. Vasconcellos não lhe retribuiu o bom dia, esboçando apenas um pequeno sorriso sarcástico.
Doutor Vasconcellos disse-lhe para deitar sobre a maca estofada e relaxar, apenas. Perguntou-lhe sobre os possíveis sintomas que sentira para a súbita ida ao médico, Clarice descreveu todos os seus sintomas e o médico, ainda sarcástico, pressionou seu abdome. Clarice apenas virou seu rosto para a esquerda e delineou uma expressividade de dor, mas não ousou reclamar das sensações pouco confortáveis.
Ao término do exame, Dr. Vasconcellos não escolheu palavras para dizer-lhe o diagnóstico. De forma sintetizada, disse-lhe as seguintes palavras:
- Clarice, você possui um possível tumor incrustado da parede digestiva. Dar-lhe-ei algumas pílulas para cessar as suas dores, porém, você terá que voltar à clínica para observarmos melhor a sua situação.
Clarice teve um pequeno espasmo. Pagou a consulta e saiu incrédula daquele consultório monótono. Sentou-se sobre um banco em uma das praças que cercavam a clínica do Dr. Vasconcellos e encostou sua face em um poste de luz. Fechou os olhos para meditar e, com grande surpresa, foi tomada por uma dor insuportável em todo o seu corpo. Abriu os olhos, teve mais um espasmo e caíra para trás, no banco, tendo seu óbito registrado às 09h50min de uma manhã nublada e, consequentemente, cinzenta.